08/10/2011

Apetece-me hoje


Hoje apetece-me...
Apetece-me tecer comentários sobre todos aqueles que emitem uma opinião sobre quem e o que nem em 1.000 vidas karmicas irão remotamente saber.
Apetece-me comentar quem supostamente aparenta ser o que nunca saberá sê-lo, pois o aparentar nunca será simplesmente o ser.
Apetece-me aponta-los, identifica-los, mas temo, que se o fizesse obviamente, os próprios não teriam a capacidade de o perceber.
Apetece-me chama-los pelos seus verdadeiros nomes, seres unicelulares incapazes de formular um pensamento criativo, ou de o até entender.
Apetece-me ser o que nunca consegui ser, por pena do outro por condescêndencia hipócrita que assumo sem dúvida ter.
Apetece-me não suportar essas pessoas, até esquecer que existem, mas é utópico supor que a ignorância algum dia deixará de connosco teimar em conviver.
Apetece-me aniquilar o que nunca deveria ter nascido, pois o mero ignóbil defecante murmurar é e será um insulto a todo o nosso (meu) ser.
Apetece-me porque posso, pois a capacidade cognitiva não me está ainda castrada por "faz de contas" que alguém  parece perceber.
Apetece-me o que a tão poucos parece tão distante, tão nebuloso, mas que nunca o deixarão aos próprios transparecer.
Apetece-me questionar a inutilidade do saber tecnocrático redutor do verdadeiro e inato saber.
Hoje apeteceu-me...

23/09/2011

Sobre-viver



Sobrevivo às palavras
Que se perdem em meus braços
Enleadas em teus laços
Sobrevivo às estórias
Onde me prendem nestas amarras
Em estranhos cantos de cigarras
Sobrevivo aos sonhos
Pedaços vazios de memórias
Tão distantes das vitórias
Sobrevivo às ilusões
Na desilusão em teus olhos
Perdido em eternos abandonos
Sobrevivo sem querer
Pela metade de todas as divisões
Resultado final destas conclusões
Sobrevivo aqui enfim
Onde faço de mim o teu ser
Pois é em ti que desejo viver

11/09/2011

Persuasão



A fortaleza das personagens femininas dos romances de Jane Austen, desponta em toda a sua glória com a heroína de “Persuasão”, Anne Elliot. Por detrás de uma aparência de fragilidade, de submissão incondicional a um pai indiferente e narcisista que vive rodeado de espelhos na mansão da família, e a uma irmã escrava das convenções sociais em vigor, Anne não abdica da sua independência intelectual.
Contudo, a personagem Anne Elliot sofre uma evolução nos dois momentos chave da obra. Enquanto jovem requestada por um simples Capitão da Marinha Britânica sem posição social nem fortuna, ela cede ao peso do parecer familiar: Wentworth não era um partido ao nível da fidalguia que o nome Elliot comportava. Apesar do amor que por ele sentia, Anne cede às exigências familiares, deixa-se persuadir por uma ilusão imposta e termina um noivado que nunca chegara a efectivar-se. Oito anos passados desde a decisão que a mortificara, Anne reencontra o Capitão Wentworth devido ao facto de Sir Walter Elliot se ver obrigado a alugar Kellynch-Hall, a casa no Somersetshire desde sempre habitada pela família, ao Almirante Croft e esposa (irmã do Capitão Wentworth), graças a problemas financeiros. E Anne, ao revê-lo e apesar do desinteresse aparente por ele manifestado, persuade-se de que nunca deixara de o amar. E é esta cedência íntima da heroína à inevitabilidade do seu amor por Wentworth que acompanhamos ao longo da quase totalidade do livro.
Wentworth mostra-se interessado em assentar, agora que conseguira posição e fortuna consideráveis após várias comissões no estrangeiro, no entanto, o orgulho ferido pela rejeição de que fora vítima, a certeza de que a Anne faltava o carácter necessário para impor uma vontade férrea, levam-no a procurar noiva noutra casa de família onde o seu nome não estivesse manchado pela lembrança de um tão ignominioso repúdio. Assim, Wentworth deixa-se também ele persuadir mas pela convicção de que a sua presença junto de uma certa jovem, era entendida como genuíno interesse e cede à possibilidade de ter de, por uma questão de honra, pedir a mão em casamento a Louisa Musgrove.
Preparado que estava para assumir as suas responsabilidades, um incidente com Louisa obriga-a a convalescer na companhia de um amigo de Wentworth e com a ausência deste, um inesperado noivado é dado a conhecer entre ambos. Wentworth estava liberto da suposta obrigação em que se vira enredado.
E desta forma, o antigo sentimento que o unira a Anne aflora-lhe novamente ao coração e deixa-se abandonar, persuadido que finalmente estava de que nunca deixara de a amar, ao fito único de a “acompanhar” onde quer que ela se encontrasse.
Um feliz desencadear de acontecimentos, provocados por acasos duvidosos (parecendo mais “manipulados” por um braço mecânico que consolida as peças da história por forma a que Anne e Wentworth se encontrassem frente a frente desnudados de preconceitos) provocam a compreensão de ambos os envolvidos nesta história de amor, a compreensão de que é inútil fugir ao sentimento que os avassala e de que os outros são apenas isso: Outros. O tempo é dos que se amam e o amor vence sempre. Jane Austen dixit

06/09/2011

Amei-te


Amei-te tanto e perdi-te
nem sabes quanto sofri,
custou-me, mas esqueci-te
e um dia destes vi-te
e tive pena de ti.

E agora passar sorrindo
num sorrir triste que escondes
decerto um desgosto infindo
se julgas que estou mentindo
vê-te a um espelho e responde

No teu rosto maquilhado
eu pude ler a amargura,
e o teu olhar perturbado,
demonstra o que tens passado,
nessa vida sem ventura.

Confesso tive saudades
do nosso antigo viver,
mas tu querias liberdade
foi feita a tua vontade,
e agora sofre, mulher


Letra by João de Freitas

31/08/2011

Assim serás


Amei até te perder de vista
Num sonho feito de areia
Sem sentimento que resista
A ventos amenos de saudade
Ao escuro desta nossa claridade
Amei até me perder de vista
Nesse sentimento que rareia
D'um medo que não persista
A toda esta tua tempestade
Ao passar da nossa verdade
Assim serás
Nunca a minha
A...

26/08/2011

Mero olhar


Sonhei não mais te ver
Aqui onde sempre nos vimos
Onde tu e eu nos sentimos
No vazio de te perder
Sem nada para falar
Sem ninguém para amar
Sonhei não mais te ter
Aqui onde nós nos perdemos
Onde eu e tu nos conhecemos
Que nos voltemos a encontrar
Num amor digno de se amar
Sonhei hoje num dia
Ter quem me sentia
Para além do mero olhar

05/07/2011

Amor está cheio de apelos à razão


Amor está cheio de apelos à razao,
Não há amor sem emoção mas também não há amor sem razão
No amor, a pergunta mais difícil é aquela feita por Jack Nicholson num filme
de Mike Nichols "Se pudesses escolher, preferias amar uma mulher ou ser
amado por ela?". Esta pergunta pressupõe que não há escolha no amor. Não há
escolha porque essa escolha não é feita por nós. Está escrito no destino,
determinado por algo que escapa ao nosso controlo. Sendo incompreensível e
incontrolável, o amor está assim mais próximo do divino (se de Deus ou do
Diabo depende de quem amamos.).
O amor está acima da razão. Mas será a razão totalmente ausente dos assuntos
do coração? No amor não intervém a razão? Nas próximas linhas o leitor
pensará que terei perdido a razão ao defender que no amor há muito mais
espaço para a razão do que as razões do amor por vezes nos querem convencer.
Recentemente duas leitoras acusaram-me de fazer frequentes referências ao
amor viciadas por um excesso de razão e pouca emoção na sua compreensão.
Esta perspectiva é comum a essência do amor é precisamente a sua ausência de
razão (ama-se independentemente da razão e, por vezes, com muito pouca
razão.). Confirmando a separação entre amor e a razão estaria o facto de,
como notou Schopenhauer, sendo a faceta mais importante da vida, o amor ter
sido geralmente ignorado pela ciência. A ciência pode interessar-se pelo
sexo ou pelo desejo, mas quanto ao amor (aquilo que existe para lá do - e
esperemos, também com - o desejo) a única relação com a ciência parece ser a
conclusão de que é tudo uma questão de química. O problema é que isso de
pouco serve quando não se conhece a fórmula certa.
E, no entanto, contrariamente à suposição usual o discurso do amor está
cheio de apelos à razão. Usamos a razão para procurar descobrir se existe
amor (quantas horas passadas a ponderar se a pergunta sobre o que fazemos
amanhã quer dizer que quer fazer algo connosco ou se quer é evitar a todo o
custo ir fazer o mesmo que nós.).Usamos a razão para explicar a falta de
amor "Vê se compreendes, não és tu, sou eu" (ao que dá seguramente vontade
de responder: "Não te preocupes, eu gosto de ti mesmo assim como és!"); ou
"Eu amo-te, mas o momento não é o certo" (porque será então que não dá para
adiar e marcarmos já uma data?). Usamos a razão para nos libertar do amor:
ou idealizando-o ao ponto de o tornar platónico ou transformando o amor em
ódio (quão ténue é a fronteira). Usamos a razão para evitar os compromissos
do amor: "Amas--me? Como pode alguém não te amar." E o que são afinal as
estratégias do amor, se não colocar a razão ao serviço do amor? A promoção
do amor através de estratégias de conquista ou rejeição é um usar da razão
para provocar a emoção.
No entanto, se a razão é usada no amor, a convicção generalizada é que ela
não determina o amor. Ninguém crê num amor justificado pela razão e ninguém
se atreve a exigir ser amado em nome da razão. Em Camille, de George Cukor,
Robert Taylor professa o seu amor por Greta Garbo, dizendo "Nunca ninguém te
amou como eu". Ela responde "Isso pode ser verdade, mas o que posso eu fazer
a esse respeito?". A única conclusão racional resultante da irracionalidade
(e, logo, incontrolabilidade) do amor seria que ele não é fruto de uma
decisão livre e autónoma e, em consequência, não somos por ele responsáveis.
No amor, a razão tem até, frequentemente, conotações negativas "Casou por
interesse ou porque não tinha alternativa" (ambas implicam o uso da razão).
E o pior mesmo é quando alguém começa a elencar as razões para gostar de
nós: os elogios raramente são acompanhados de declarações de amor. Não há
nada mais doloroso que ver o amor substituído pela admiração.
No entanto, se a razão fosse estranha ao amor jamais o amor poderia ser
eterno. O amor como desejo existe, desaparece e reaparece sempre com a mesma
certeza. Num momento amamo-la, um dia mais tarde quem sabe? Na semana
seguinte lamentamos o amor perdido! O amor sem razão não nos deixa dúvidas.
Apenas a razão nos ensina a ter dúvidas sobre as certezas do amor. Se o
nosso amor fosse apenas guiado pela emoção não amaríamos ninguém. Teríamos
apenas desejo. A emoção e o desejo são como a espuma e as ondas do mar é o
que torna navegar excitante mas não decide a direcção do navio. Para o amor
ser eterno (e o amor só faz sentido pensado e vivido como eterno) é
necessária a razão para superar as inconstâncias do desejo. E é também a
razão que alimenta e é capaz de reavivar o desejo: as dúvidas que planta, a
sedução que promove, a imaginação que desperta.
O amor verdadeiro só existe suportado pela razão. Mas não é uma razão
qualquer. Não é uma razão de mercearia em que o amor se transforma numa
lista de compras pela qual verificamos se ela tem ou não os itens a adquirir
(importa passar mais tempo a procurar razões para amar do que a elencar as
razões para não amar). E também não é a chamada razão do bom senso em que
subordinamos o amor a uma certa razão social. Não é a razão dos outros mas a
nossa razão. É uma racionalidade vinculada à emoção. O amor encontra-se
quando a emoção nos diz para seguir a razão. É importante não cair no erro
de achar que apenas existe amor quando ele vai contra a razão. Não há amor
sem emoção mas também não há verdadeiramente amor sem razão. Porque o amor
tem necessariamente uma razão de ser.
O amor é o que sobrevive para lá das dúvidas, suportado pela razão. Como
dizia um outro personagem cinematográfico "Só quero que me ames, com dúvidas
e tudo." Fácil é evocar o coração para não ouvir a sua razão. Fácil também é
escudar-se na razão para fugir ao coração. Difícil e verdadeiramente
romântico é decidir do amor com o verdadeiro uso da razão. Só assim se
encontram as razões do coração. As razões que dita o coração e pelas quais
alguém nos faz perder a razão.

by Miguel Poiares Maduro

03/06/2011

Refem



Pudera encontrar uma maneira de trazer teus pensamentos até mim...
revirar tuas idéias... te virar do avesso e com apreço prende-lo aos meus pés...
Seria tua algóz a encanta-lo com minha voz ao sussurar em teus ouvidos...
hipnotizar teus sentidos fazer cativo teu coração....
ahhh...pessoa pura!! tua transparência desperta em mim as maiores loucuras...
Me sinto uma menina, apaixonada e adornada para menino mais bonito da turma..
Mas, sou mulher, senhora de mim, a namorada perfeita, a amante enlouquecedora que desarma tua resitência...
ahhh amado meu! Tens a sorte em tuas mãos... tens meu coração entrelaçado ao seu...
Hoje ouço teu peito acelerado com um beijo sufoco-te de paixão...

In and by: http://annytacotidiano.blogspot.com/

For the first time



She's all laid up in bed with a broken heart
While i'm drinking jack all alone in my local bar
And we don't know how we got into this mad situation
Only doing things out of frustration
Trying to make it work but man these times are hard

She needs me now but I can't seem to find a time
I've got a new job now in the unemployment line
And we don't know how we got into this mess it's a gods test
Someone help us cause we're doing our best

Trying to make it work but man these times are hard
But we're gonna start by drinking old cheap bottles of wine
Sit talking up all night
Saying things we haven't for a while, a while yeah
We're smiling but we're close to tears
Even after all these years
We just now got the feeling that we're meeting
For the first time

She's in line at the door with her head held high
While I just lost my job but didn't lose my flight
But we both know how we're gonna make it work when it hurts
When you pick yourself up you get kicked in the dirt

Trying to make it work but man these times are hard
But we're gonna start by drinking old cheap bottles of wine
Sit talking up all night
Saying things we haven't for a while, a while yeah
We're smiling but we're close to tears

Even after all these years
We just now got the feeling that we're meeting
For the first time

Drinking old cheap bottles of wine
Saying things we haven't for a while, a while yeah
We're smiling but we're close to tears
Even after all these years
We just now got the feeling that we're meeting
For the first timeFor the first time
Oh, for the first time
Yeah, for the first time

Oh these times are hard
Yeah they're making us crazy
Don't give up on me baby

Oh these times are hard
Yeah they're making us crazy
Don't give up on me baby

Oh these times are hard
Yeah they're making us crazy
Don't give up on me baby

Oh these times are hard
Yeah they're making us crazy
Don't give up on me baby


25/05/2011

18/05/2011

Castelos de nuvens




Viajo entre os teus cabelos
Num mundo imenso de tesouros
Afago teus corceis alados
Em sonhos de ídos pelouros

Assim resido em teus castelos
De nuvens feitos sem futuros
Ilusões de tempos passados
Amarrados a receios obscuros

Que um dia poderei ve-los
Derrubados todos os muros
Reflexos de mim quebrados
Espelho de nós tão (im)puros

09/05/2011

O teu cheiro



Hoje fiquei com o teu cheiro
Amarrado a mim pelo meu corpo
Fragrâncias d'uma Invernal brisa
Assim a sinto toda por inteiro
Peça que pela tua mão esculpo
Numa força já tão imprecisa

Hoje fiquei com o teu cheiro
Sabores d'um nosso pericarpo
Que emerge de forma circuncisa
Por uns breves momentos esteiro
Desse mundo que já não inculpo
Mas que há muito me paralisa

30/04/2011

Sonho à deriva


O sonho vagueia à deriva
Passeia por dentro de nós
Deixa-nos apenas a sua voz
Ecos de uma estranha cantiga
Que somente partilhamos a sós
Monólogos dessa crueldade atroz
Fazem apenas uma certa companhia
Sem percebermos do que virá após
De quem nos esperará na nossa foz
Mas sempre assim continuamos
Vagueando neste sonho à deriva

22/04/2011

Só um Mundo de Amor pode Durar a Vida Inteira




Há coisas que não são para se perceberem. Esta é uma delas. Tenho uma coisa para dizer e não sei como hei-de dizê-la. Muito do que se segue pode ser, por isso, incompreensível. A culpa é minha. O que for incompreensível não é mesmo para se perceber. Não é por falta de clareza. Serei muito claro. Eu próprio percebo pouco do que tenho para dizer. Mas tenho de dizê-lo.

O que quero é fazer o elogio do amor puro. Parece-me que já ninguém se apaixonade verdade. Já ninguém quer viver um amor impossível. Já ninguém aceita amar sem uma razão. Hoje as pessoas apaixonam-se por uma questão de prática. Porque dá jeito. Porque são colegas e estão ali mesmo ao lado. Porque se dão bem e não se chateiam muito. Porque faz sentido. Porque é mais barato, por causa da casa. Por causa da cama. Por causa das cuecas e das calças e das contas da lavandaria.

Hoje em dia as pessoas fazem contratos pré-nupciais, discutem tudo de antemão, fazem planos e à mínima merdinha entram logo em "diálogo". O amor passou a ser passível de ser combinado. Os amantes tornaram-se sócios.Reúnem-se, discutem problemas, tomam decisões. O amor transformou-se numa variante psico-sócio-bio-ecológica de camaradagem. A paixão, que devia ser desmedida, é na medida do possível. O amor tornou-se uma questão prática. O resultado é que as pessoas, em vez de se apaixonarem de verdade, ficam "praticamente" apaixonadas.

Eu quero fazer o elogio do amor puro, do amor cego, do amor estúpido, do amor doente, do único amor verdadeiro que há,estou farto de conversas, farto de compreensões, farto de conveniências de serviço.
Nunca vi namorados tão embrutecidos, tão cobardes e tão comodistas como os de hoje. Incapazes de um gesto largo, de correr um risco, de um rasgo de ousadia, são uma raça de telefoneiros e capangas de cantina, malta do "tá bem, tudo bem", tomadores de bicas, alcançadores de compromissos, bananóides, borra-botas, matadores do romance, romanticidas. Já ninguém se apaixona? Já ninguém aceita a paixão pura, a saudade sem fim, a tristeza, o desequilíbrio, o medo, o custo, o amor, a doença que é como um cancro a comer-nos o coração e que nos canta no peito ao mesmo tempo?

O amor é uma coisa, a vida é outra. O amor não é para ser uma ajudinha. Não é para ser o alívio, o repouso, o intervalo, a pancadinha nas costas, a pausa que refresca, o pronto-socorro da tortuosa estrada da vida,o nosso "dá lá um jeitinho sentimental". Odeio esta mania contemporânea por sopas e descanso. Odeio os novos casalinhos. Para onde quer que se olhe, já não se vê romance, gritaria, maluquice, facada, abraços, flores. O amor fechou a loja. Foi trespassada ao pessoal da pantufa e da serenidade. Amor é amor. É essa beleza. É esse perigo. O nosso amor não é para nos compreender, não é para nos ajudar, não é para nos fazer felizes. Tanto pode como não pode. Tanto faz. É uma questão de azar.

O nosso amor não é para nos amar, para nos levar de repente ao céu, a tempo ainda de apanhar um bocadinho de inferno aberto. O amor é uma coisa, a vida é outra. A vida às vezes mata o amor. A "vidinha" é uma convivência assassina. O amor puro não é um meio, não é um fim, não é um princípio, não é um destino. O amor puro é uma condição. Tem tanto a ver com a vida de cada um como o clima. O amor não se percebe. Não é para perceber. O amor é um estado de quem se sente. O amor é a nossa alma. É a nossa alma a desatar. A desatar a correr atrás do que não sabe, não apanha, não larga, não compreende.

O amor é uma verdade. É por isso que a ilusão é necessária. A ilusão é bonita, não faz mal. Que se invente e minta e sonhe o que quiser. O amor é uma coisa, a vida é outra. A realidade pode matar, o amor é mais bonito que a vida. A vida que se lixe. Num momento, num olhar, o coração apanha-se para sempre. Ama-se alguém. Por muito longe, por muito difícil, por muito desesperadamente. O coração guarda o que se nos escapa das mãos. E durante o dia e durante a vida, quando não esta lá quem se ama, não é ela que nos acompanha - é o nosso amor, o amor que se lhe tem. Não é para perceber. É sinal de amor puro não se perceber, amar e não se ter, querer e não guardar a esperança, doer sem ficar magoado,viver sozinho, triste, mas mais acompanhado de quem vive feliz. Não se pode ceder. Não se pode resistir. A vida é uma coisa, o amor é outra. A vida dura a Vida inteira, o amor não.
Só um mundo de amor pode durar a vida inteira. E valê-la também.


By: Miguel Esteves Cardoso, in 'Jornal Expresso'

29/01/2011

Um olhar


Um olhar disfarçado
Passou ao meu lado
Nada me, nos disse apenas
Nas minhas, suas novenas
Em silêncio abafado
Passou ao meu lado

Um olhar incessante
Passou tão distante
No vazio parco de mecenas
Em certezas tão terrenas
Como só um errante
Passou tão distante

Um olhar embaraçado
Partiu já sem passado
Por ventos e chuvas amenas
Com frio de soís às dezenas
Por mim assim acossado
Partiu já sem passado

Um olhar sibilante
Envolveu-me sepultante
Como nos medos assim condenas
Entre os choros das nazarenas
Neste fim brilhante
Envolveu-me sepultante

11/01/2011

Saudades são para os fracos



Assim vens cobrindo o meu vazio
Devagar num silêncio ensurdecedor
Palavras em uma letra já morta
Onde só restará o nada em flor

É assim que quero este jazigo
Esquecido de um tempo de dor
Fechar uma página entreaberta
Cremar estes restos sem sabor

Gritos de falsos lamentos
Preenchem só por momentos

Não tiram a sede nem o frio
São meras saudades em bolor
Desses fracos de alma esperta
Que se guarda somente o odor

Fétido destilar de ocre fastio
Sem mais do que a sua mera cor
Residuos secos em vala aberta
Desse aterro que taparei sem pudor

Zurros de pequenos jumentos
Passam breve sem ressentimentos...

04/01/2011

Metade



Que a força do medo que tenho
Não me impeça de ver o que anseio

Que a morte de tudo em que acredito
Não me tape os ouvidos e a boca
Porque metade de mim é o que eu grito
Mas a outra metade é silêncio.

Que a música que ouço ao longe
Seja linda ainda que tristeza
Que a mulher que eu amo seja pra sempre amada
Mesmo que distante
Porque metade de mim é partida
Mas a outra metade é saudade.

Que as palavras que eu falo
Não sejam ouvidas como prece e nem repetidas com fervor
Apenas respeitadas
Como a única coisa que resta a um homem inundado de sentimentos
Porque metade de mim é o que ouço
Mas a outra metade é o que calo.

Que essa minha vontade de ir embora
Se transforme na calma e na paz que eu mereço
Que essa tensão que me corrói por dentro
Seja um dia recompensada
Porque metade de mim é o que eu penso mas a outra metade é um vulcão.

Que o medo da solidão se afaste, e que o convívio comigo mesmo se torne ao menos suportável.

Que o espelho reflita em meu rosto um doce sorriso
Que eu me lembro ter dado na infância
Por que metade de mim é a lembrança do que fui
A outra metade eu não sei.

Que não seja preciso mais do que uma simples alegria
Pra me fazer aquietar o espírito
E que o teu silêncio me fale cada vez mais
Porque metade de mim é abrigo
Mas a outra metade é cansaço.

Que a arte nos aponte uma resposta
Mesmo que ela não saiba
E que ninguém a tente complicar
Porque é preciso simplicidade pra fazê-la florescer
Porque metade de mim é platéia
E a outra metade é canção.

E que a minha loucura seja perdoada
Porque metade de mim é amor
E a outra metade também.

By Oswaldo Montenegro "Metade"

18/11/2010

Aceitar


Aceita este meu passado
Somente meu e por inteiro
Esquecido de ti irá repousar
Numa sombra dum outro mundo
Tão estranho como o primeiro
Que o tempo apagou ao soprar

Aceita este meu presente
Assim tão só e verdadeiro
Que me faz em nós sonhar
Acreditando que se sente
Desde do momento primeiro
O que o verso deixou apagar

Aceita este nosso futuro
Num odor que ainda cheiro
Na vontade de nos procurar
Onde só a mim ainda torturo
Como esse doce brigadeiro
Que num dia te fui dar...

(Ehehehhehe)

13/11/2010

O teu olhar

O teu olhar para mim sorriu
Afagou-me os cabelos tristes
Por ondas longas de caricias
Entre o querer e o não deixar
Tudo o que em mim já não existe

O teu olhar para mim sentiu
Em doces vulgares fantasias
Que outrora me ouvi ao sonhar
Numa voz suave que subsiste
Ecos fugazes em vãs tertúlias
Que aqui se ficam por enumerar

O teu olhar da minha vida saiu
Como as palavras que não viste
Essas que um dia ousei murmurar
Onde só restam pedaços de alegorias
Que ficam só em mim por partilhar

03/10/2010

30/09/2010

Dá-me lume

Chegaste com três vinténs
e o ar de quem não tem
muito mais a perder
o vinho não era bom
a banda não tinha tom
mas tu fizeste a noite apetecer
mandaste a minha solidão embora
iluminaste o pavilhão da aurora
com o teu passo inseguro
e o paraíso no teu olhar

Eu fiquei louco por ti
logo rejuvenesci
não podia falhar
dispondo a meu favor
da eloquência do amor
ali mesmo à mão de semear
mostrei-te a origem do bem e o reverso
mostrei-te que o que conta no universo
é esse passo inseguro
e o paraiso no teu olhar

Dá-me lume, dá-me lume
deixa o teu fogo envolver-me
até a musica acabar
dá-me lume, não deixes o frio entrar
faz os teus braços fechar-me as asas
há tanto tempo a acenar

Eu tinha o espirito aberto
às vezes andei perto
da essencia do amor
porém no meio dos colchões
no meio dos trambolhões
a situação era cada vez pior
tu despertaste em mim um ser mais leve
e eu sei que essencialmente isso se deve
a esse passo inseguro
e ao paraiso no teu olhar

Dá-me lume, dá-me lume
deixa o teu fogo envolver-me
até a musica acabar
dá-me lume, não deixes o frio entrar
faz os teus braços fechar-me as asas
há tanto tempo a acenar

Se eu fosse compositor
compunha em teu louvor
um hino triunfal
se eu fosse critico de arte
havia de declarar-te
obra-prima à escala mundial
mas eu não passo dum homem vulgar
que tem a sorte de saborear
é esse passo inseguro
e o paraiso no teu olhar

Dá-me lume, dá-me lume
deixa o teu fogo envolver-me
até a musica acabar
dá-me lume, não deixes o frio entrar
faz os teus braços fechar-me as asas
há tanto tempo a acenar

In Bairro do Amor by Jorge Palma

06/09/2010

06/08/2010

Love will tear us apart (again)



O mistério da vida envolto em incerteza
São as voltas que a vida vai dando
Prova dessa certeza do seu mistério
Numa vida à sua própria volta
É esse o seu maior mistério concerteza
Por entre mais voltas que a vida dê
Será no mistério que nos envolve esta vida
Todo o nosso prazer de viver sem certezas
P'los mistérios da vida envolto em incertezas

05/07/2010

"C"oiro sobre Azul


A doente pede ao médico:
- Beije-me, Dr.
- Não posso, a ética profissional não me permite! Eu nem devia estar aqui a fazer amor consigo...
Um clínico e um cirurgião estão conversando, discutindo um caso...

Clínico: Mas diga-me uma coisa... por que é que você operou aquele homem?
Cirurgião: Por três mil Euros...
Clínico: Não, eu quero saber o que é que ele tinha...
Cirurgião: Três mil Euros...

27/06/2010

A ditadura da maioria



Há cerca de dois mil e quatrocentos anos, Sócrates, o mais importante dos filósofos do ocidente, era julgado por supostamente promover a corrupção dos jovens e pelo fato de não acreditar nos deuses venerados em Atenas. Com veredicto formado por uma ínfima maioria, em tribunal popular, o filósofo foi condenado à morte por ingestão de cicuta.
Na verdade, os motivos do julgamento eram outros. Um deles estava bem claro e não era segredo algum: Sócrates, ao fugir da filosofia teórica e da inofensiva filosofia natural, partindo em vez disso para a investigação concreta da virtude, da justiça e da ética (valores, segundo ele, possíveis de conhecimento pela análise racional da alma e da conduta humana), acabava por questionar e expor publicamente o despreparo e a ignorância das elites atenienses e suas teorias pretensamente sábias, que embora se sustentassem na emoção da oratória dos demagogos, desmoronavam quando enfrentavam a impiedosa arena do pensamento racional. E não foram poucos os que, completamente desarmados pela argumentação de Sócrates, mostraram, publicamente, que não passavam de idiotas em roupas de sábios.

O outro, e talvez maior, motivo é que… bem, talvez por influência do mestre (um aristocrata convicto) certos discípulos de Sócrates não tinham muito amor pela democracia, possuindo o péssimo hábito de dar suporte a tiranos – isso quando eles mesmos não exerciam a tirania. Por exemplo, Crítias e Cáricles, seus alunos, participaram do sangrento golpe conhecido como Ditadura dos Trinta, durante o qual foram assassinados, de acordo com Xenofonte, cerca de 1.500 atenienses.


De toda forma, a mísera maioria que compôs o veredicto (que só logrou sucesso por um agressivo lobby dos demagogos de Atenas, que, interessados em se livrar do embaraço que Sócrates proporcionava, conduziram o povo a clamar pela condenação do filósofo com base na acusação de heresia, mais facilmente digerível para a choldra) já denunciava a fragilidade e a inconsistência das denúncias. Sócrates acabou condenado por pouco, por um júri sem unanimidade, sem vigor, sem vontade. E tudo isso deixou um gosto muito ruim, principalmente no paladar do jovem Platão.

Platão, seu maior discípulo e antes um grande entusista da política e da república, após o julgamento volta-se a um período de amargura e desilusão. Em suas cartas, revelou um desejo de simplesmente abandonar tudo após o que se passou com o mestre. Para ele, Sócrates não teria sido julgado, mas sim, verdadeiramente assassinado pela democracia, um sistema onde o povo (“demos”, que aqui adquire um sentido pejorativo, de “multidão”, “turba”), conduzido pelo discurso hábil, é arma, ferramenta e massa de manobra dos demagogos. Nada mais distante do ideal da politéia, que é a gerência verdadeiramente pública dos assuntos públicos. E, no fundo, em nada desigual à tirania: o que muda é o instrumento do controle.

Esta noção tomaria forma definitiva em seu aluno, Aristóteles, que classifica a República como “o governo de todos para o benefício de todos”, uma das formas ideais ou puras de governo, e a Democracia como “o governo de poucos (demagogos, ou “condutores da multidão”), por meio de todos, para o benefício destes mesmos poucos“, como sua forma decaída ou corrompida. Um engodo, uma ilusão de liberdade.

Nem Platão nem Aristóteles viveram para analisar outro importante e injusto julgamento, o de Jesus de Nazaré. De acordo com a tradição cristã, o governador romano da Galiléia, Pilatos, não estava convencido de que o chamado “Rei dos Judeus” fosse um criminoso, e teria mandando o libertar não fosse a turba, habilmente conduzida pelos sacerdotes judeus, violentamente clamar pela sua execução. Para evitar a deterioração das já tensas relações com os governados, Pilatos teria recuado e atendido o clamor popular.

Isso seria “democracia”, nos termos de Aristóteles – mas nunca o modo de uma república.

Em suma, após ter sido banida do ocidente na Idade Média , a “democracia” adquiriu apenas recentemente o sentido que positivo que possui hoje (incorporando, no próprio termo, o ideal de “politéia” grego) por influência da terminologia política anglo-saxã, relegando seu significado original e negativo, por sua vez, ao termo “demagogia”.

Mas, embora tenha o significado do termo mudado, passados mil e quatrocentos anos da morte de Sócrates, os fatos não mudaram muito. O mesmo problema – o “governo pela multidão” - continua a nos assombrar. De lá para cá, proporcionou revoluções populares que só terminaram por instituir piores ditadores e serve, ainda, como ferramenta para que pequenos setores ou grupos, utilizando o estrito conceito de legitimidade numérica que a manipulação hábil da maioria pode gerar, imponham violentamente preferências pessoais, ideologia, costumes e dogmas goela abaixo não só da minoria vencida, mas também daquela boa parte da sociedade que, quando finalmente acorda do hipnótico discurso demagógico, percebe o desserviço que acabou fazendo quando, justamente, estava nas vestes da maioria.

Por isso, como costumamos falar, vivemos em permamente risco da imposição de uma “Ditadura da Maioria”. A ditadura pela urna. A ditadura do voto.

06/06/2010

The Village - Best compilation

IVY: "When we are married, will you dance with me? I find dancing very agreeable. Why can you not say what is in your head? "

LUCIUS: "Why can you not stop saying what is in yours? Why must you lead, when I want to lead? If I want to dance, I will ask you to dance. If I want to speak, I will open my mouth and speak. Everyone is forever plaguing me to speak further. Why? What... good is it to tell you you are in my every thought from the time I wake? What good can come from my saying I-- I sometimes cannot think clearly, or- or do my work properly? What gain can rise from my telling you... the only time I feel fear as others do, is when I think of you in harm? That is why I am on this porch, Ivy Walker. I fear for your safety above all others. And yes... I will dance with you on our wedding night."



02/06/2010

Água Moura - Teatro de Rua "ENTRADA LIVRE"



Só no reduzido espaço da Vila Velha e em seu redor existem quase uma vintena de fontes, fontanários, bicas e nascentes: uma multiplicidade de aproveitamentos da água verdadeiramente ímpar. Compreende-se assim a importância histórica e lendária da ligação de Sintra às águas.

Infelizmente, em muitas destas fontes, há muito que a água desapareceu. De seguida, são os vestígios materiais destas fontes que desaparecem e, por fim, a própria memória delas se esvai.

A construção deste trabalho, Água Moura, pretende resgatar essa memória, buscar os vestígios, invocar as águas e, com elas, todo o património Sintrense. Não só a História é chamada aqui: "relendo" e "reinventando" lendas a partir de factos históricos, relacionando os espaços públicos das fontes com a Sintra lendária e sobrenatural de que a abundância e qualidade das águas é um dos atributos, recuperamos um dos seus eixos simbólicos.

Às fontes ancestrais deve Sintra o seu microclima único e a sua vegetação variada e esplendorosa. Desta inspiração decorreram depois as inúmeras manifestações físicas – palácios, palacetes, jardins imaginados e caminhos iniciáticos – e imateriais – poemas, romances, canções e filmes – dos sonhos inspirados de tantos homens, constituindo a sua Paisagem Cultural, tão justamente reconhecida como Património da Humanidade. Possam os próprios Sintrenses nunca esquecer este legado e proteger as suas fontes como exemplo maior dessa mesma Humanidade.

***

Água Moura é um espectáculo de teatro de rua itinerante, que convida os espectadores a acompanhar cinco actores e actrizes e dois músicos à descoberta de seis das mais emblemáticas fontes do Centro Histórico da Vila Património da Humanidade e suas “novas estórias de mouras encantadas para jograis e trovadores”.

Recriámos seis "lendas" que jogam com certos factos históricos ou pitorescos que todos reconhecem como património lendário da Vila de Sintra e juntámos mais de uma dúzia de personagens dos séc. XII ao XVI para animar as noites da Vila num percurso nocturno, de fonte em fonte, de estória em estória, recriando o ambiente mourisco das mil e uma noites que anima ainda o espírito de Sintra.

Água Moura é uma viagem ao património cultural vivo de Sintra, povoado de saloios e frades de pança, almoxarifes e ciganas, judias e beatas, senhores feudais e vendedeiras de fruta: uma mão-cheia de coloridas personagens interpretadas por cinco actores e actrizes, acompanhados por dois músicos que executam, ao vivo, cantigas medievais, renascentistas e outras.

05/05/2010

La chiatta



Me piace esse teu olhar
Que fitou o meu sorriso
Sem esperar num mero falar
Encontrasse o seu porto d'abrigo
Naquela piazza eu vi-te passar
Onde me perdi em teu vestido
Qual tiara que me soube abraçar
Sonho meu assim tão com sentido
Foi a palavra que só irei encontrar
Na definição do que serei contigo
Não me terás de ao ouvido contar
O que sempre enfim esteve comigo
Num fogo que arde sem queimar
Como em teu peito tão querido
Que por muitos anos irei amar
Selado assim em um só beijo
por fim já cumprido...

28/04/2010

Here we go again

il nostro viaggio in Italia da ricordare

23/04/2010

De olhos bem fechados


Os socialistas levam  a plenário um pacote de medidas contra a corrupção, onde está incluído um projecto-lei que pode abrir um novo conflito com os médicos.

A proposta determina que, para os trabalhadores do Estado, a exclusividade de funções passa a ser a regra e a acumulação de funções no sector público e privado só será aceite mediante autorização superior, escreve hoje o Público.

O projecto é genérico, mas uma das profissões onde mais ocorrem acumulações de funções privadas e ao serviço do Estado é a dos médicos.


"Resposta pronta" ou uma "pronta resposta":

O bastonário da Ordem dos Médicos (OM) está indignado por ver a classe incorporada no pacote anti-corrupção que o PS vai apresentar esta quinta-feira para discussão na Assembleia da República. Pedro Nunes considerou que a maior parte dos médicos poderá mesmo vir a abandonar o sector público caso a proposta socialista de proibir a acumulação de funções no sector público e privado, revelada pelo DN, for avante. Em declarações à TSF, o bastonário lembrou que "corrupção tem a ver com quem utiliza o cargo público para ganhar dinheiro para si próprio ou para financiar o seu partido" e "tem a ver autoriza construções e compra materiais caros para o Estado" e não com a actividade dos médicos. Caso venha a ser aplicada a proposta do PS relativa a esta proibição, "ou o Estado passa a pagar ordenados muito superiores ao privado ou os médicos tenderão a ir trabalhar para os sítios onde lhes pagarem melhor".


Obs:
Considerando que estamos em "Portugal" vai sendo compreensivel que certas "criaturas" do alto da sua verborreia mental, manifestem uma  opinião, também vai sendo compreensivel que por estarmos efectivamente em "Portugal", esse singular "universo" de truísmos opinativos (já que todos os "seres humanos" têm uma - opinião) que as mesmas (criaturas) vão tendo, somente têm uma certa "ressonância" entre outras "criaturas" de (de)formação semelhante e nunca uma "diferenciada"!
Compreender, até se compreende mas entender a valoração que lhe (continuo a referir-me à dita: Opinião) é dada é que efectivamente não!

Explicação "simplex":
Será que quando um "burro" zurra poderá esse (burro) inferir que todos os outros, que não sejam, (burros) e que o estejam a rodear também deverão enfim zurrar? (se precisar de explicação nesta simples alegoria, um conselho: zurre zurre)

21/04/2010

Procura


Procurando o que não existe
Será sempre essa vã tortura
Só o que realmente subsexiste

Do que em si se encontra somente
Do que se vai deixando encontrar

Será assim que deveras resiste
Envolto numa fria suave loucura
Procurando o que em nós existe

13/04/2010

AMIGO


Meu querido amigo,
Companhia de mim,
Quero estar contigo,
Nas noites sem fim...

És brilho e encanto,
Especial entre os seres,
Suavizas meu pranto ,
apenas com teus saberes!

Não sei como lês
Tanta coisa de minha essência,
Pois por vezes imagino,
Não ser mais do que aparência.

Aparência ilusória,
Na mente construida,
Nesta vida de glória,
Mas por vezes...destruída!

Mente, corpo, espírito...
Tríade da verdade!
Verbo, infinito...
Capaz de felicidade!

Vais sempre mais além,
Nas tuas dissertações,
É isso que me mantém,
Desperta em "divagações"!

És amigo sem igual,
Despertas em mim a Verdade
És divino, especial...
És mensageiro de felicidade!

By MIRA

(Dedicado a um amigo muito especial, que adoro!)

Ps: Gracie só a menina mesmo! Beijos

30/03/2010

Patos bravos do sul bando de "Aves loucas"



Uma conversa telefónica entre Manuel Godinho e outro arguido do processo Face Oculta, Domingos Paiva Nunes, ocorrida logo após as eleições legislativas do ano passado, mostra que a rede indiciada no caso tentou pôr em acção um plano de obtenção rápida de negócios com empresas ligadas ao Estado, convencida de que o novo Governo do PS não duraria mais de dois anos.

«Agora só coisas concretas, deixem-se de tretas que não temos muito tempo para ganhar dinheiro» – diz Paiva Nunes (então administrador da EDP Imobiliária) a Godinho, três dias após as eleições. Isto depois de ter também falado com o empresário José Nascimento, em que este, analisando o escrutínio eleitoral, afirma que «nestes dois anos tem de se olhar para a frente» – estabelecendo um plano para fazerem negócios.

Estas conversas contribuíram para que o procurador João Marques Vidal (coordenador do inquérito) tenha concluído que Paiva Nunes e Nascimento, «em conjugação de esforços com um outro indivíduo (‘Daniel’) e com Armando Vara, teriam, através de mercadejar dos seus cargos e da sua influência, de aproveitar os próximos dois anos para fazer dinheiro, período que reportavam como sendo aquele que duraria a legislatura que se adivinhava».

O procurador refere-se, assim, a um telefonema de 28 de Setembro, o dia a seguir às legislativas. Paiva Nunes – que em 1994 fora convidado por Edite Estrela para seu assessor na Câmara Municipal de Sintra e no mandato seguinte foi vereador com o pelouro das obras e ambiente – recebe um telefonema de um "empresário" (? empresário de Sintra isto ?) de Sintra desses tempos.

Ambos congratulam-se com o resultado do PS. José Nascimento faz análise política: «Sabes quais são as duas vantagens? Nem Bloco nem PC. Agora o próprio Presidente vai dizer ao PSD para estar calado e votar os dois orçamentos».

Não dão mais de dois anos de vida ao Governo. Nascimento avança a ideia: «Ó pá, neste momento, mais dois aninhos e a gente tem que olhar para a frente». Paiva Nunes: «Exactamente. Ok».

E um plano doméstico desenha-se. Referindo-se ao site da EDP Imobiliária, Nascimento diz: «Já vi anúncios teus lá daquela coisa da imobiliária. Temos de começar pá, para ver». «Está bem. Para a semana falamos, que é para combinar», diz Paiva Nunes.

Nascimento continua: «São coisas interessantes e também se podia depois ver, ó pá, o que é que tu tens, para ver o que é que eu posso colocar?».

Nascimento, que acumulava o lado empresarial (? "empresarial e presidência" isto ?) com a presidência da Caixa de Crédito Agrícola Mútuo de Sintra, vai desfiando a estratégia, que passa pelo seu filho: «Sabes que o Daniel agora mudou para a Aguirre Newman [multinacional espanhola, de mediação imobiliária]? Também era para te dizer isso no caso de te encontrares com ele. Ainda agora lhe dei um prédio em Lisboa e colocou-o em 48 horas. Tem gajos que querem investir e não sei o quê. Ele agora representa milhões… ». Paiva escuta-o com atenção: «Está bem! Está bem!».

Nascimento prossegue: «Olha, temos que ter sinergia. Eu porque sou ponta-de-lança e tenho uma empresa imobiliária e posso aparecer. Ele porque está a conhecer o mercado. Tu porque estás onde estás. Eh, pá, e o nosso amigo [Vara], que está onde está. Podemos fazer aqui uma multinacional bem feita». Paiva anuiu e o outro elabora: «Tens de pensar alto, percebes? Pensar alto. É que neste momento estou free para fazer coisas bonitas». «Temos que aproveitar porque isto passa num instante, pá», remata. «Eu dou-te um feedback», termina Paiva Nunes.

In SOL 28 de Março de 2010



O PROCESSO chamado ‘Face Oculta’ tem as suas raízes longínquas num fenómeno que podemos designar por ‘deslumbramento’.

Muitos dos envolvidos no caso, a começar por Armando Vara, são pessoas nascidas na Província que vieram para Lisboa, ascenderam a cargos políticos de relevo e se deslumbraram.

Deslumbraram-se, para começar, com o poder em si próprio.

Com o facto de mandarem, com os cargos que podiam distribuir pelos amigos, com a subserviência de muitos subordinados, com as mordomias, com os carros pretos de luxo, com os chauffeurs, com os salões, com os novos conhecimentos.

Deslumbraram-se, depois, com a cidade.

Com a dimensão da cidade, com o luxo da cidade, com as luzes da cidade, com os divertimentos da cidade, com as mulheres da cidade.

ORA, para homens que até aí tinham vivido sempre na Província, que até aí tinham uma existência obscura, limitada, ligados às estruturas partidárias locais, este salto simultâneo para o poder político e para a cidade representou um cocktail explosivo.

As suas vidas mudaram por completo.

Para eles, tudo era novo – tudo era deslumbrante.

Era verdadeiramente um conto de fadas – só que aqui o príncipe encantado não era um jovem vestido de cetim mas o poder e aquilo que ele proporcionava.

Não é difícil perceber que quem viveu esse sonho se tenha deixado perturbar.

CURIOSAMENTE, várias pessoas ligadas a este processo ‘Face Oculta’ (e também ao ‘caso Freeport’) entraram na política pela mão de António Guterres, integrando os seus Governos.

Armando Vara começou por ser secretário de Estado da Administração Interna, José Sócrates foi secretário de Estado do Ambiente, José Penedos foi secretário de Estado da Defesa e da Energia, Rui Gonçalves foi secretário de Estado do Ambiente.

Todos eles tiveram um percurso idêntico.

E alguns, como Vara e Sócrates, pareciam irmãos siameses.

Naturais de Trás-os-Montes, vieram para o poder em Lisboa,inscreveram-se na universidade, licenciaram-se, frequentaram mestrados.

Sentindo-se talvez estranhos na capital, procuraram o reconhecimento da instituição universitária como uma forma de afirmação pessoal e de legitimação do estatuto.[...]


By José António Saraiva
In http://sol.sapo.pt/Blogs/jas/default.aspx



Obs:
Meninos e meninas é como se brincassem ao "finding Wally"
Só têm de ir encontrando as similitudes ou as diferenças ou ambas!

Pobre Sintra, Pobre "Pretúgal"!

Ps: (calma "engíííínhêrúúús técnicúúús" é mesmo POST SCRIPTUM do Latim, significa literalmente "escrito depois")
Caso tenham tido alguma dificuldade cognitiva em entender ou perceber o supra escrito, aconselho sériamente a "pensarem" que tipo de instrução têm, ou tiveram, será a tal "TÉCNICA"? Eheheheh 

25/03/2010

Medicina "aprendida" em Brussels "come all in"

http://www.retratos-da-vida-de-uma-medica.blogspot.com/



Crónicas da chegada de mais um "congresso" Na Belgica (parte 1):



Dr.ª AN:
"Já estou na Beloura, gostava de poder estar contigo. Queres?
Tens saudades?"

Resp:
"E o namorado? Não se importa?"

Dr.ª AN:
"Ele sabe que eu sou fiel!"


Obs:
Será de todo conveniente seguir os procedimentos deontológicos, deverá portanto, esterilizar todo e qualquer material anterioremente usado e no caso de uma utilização massiva será prudente efectuar a sua (do material) troca numa qualquer esquina perto de si.

"O que torto nasce, tarde ou nunca se endireita"
Depois queixam-se do Papilomavírus Humano (HPV)
Haja higiene meninos e meninas!

29 de Março de 2006